Ambientes Virtuais de Aprendizagem - uma reflexão

  

Ambientes Virtuais de Aprendizagem 

Ao longo deste módulo, a reflexão desenvolvida permitiu-me aprofundar a compreensão dos Ambientes Virtuais de Aprendizagem enquanto ecossistemas pedagógicos e não apenas enquanto espaços tecnológicos de disponibilização de conteúdos. 

Na fase de autoaprendizagem, através da leitura dos materiais e visualização dos recursos disponibilizados, comecei por refletir sobre o papel dos ambientes digitais no contexto da formação contemporânea. Esta análise levou-me a questionar de que forma as plataformas digitais podem evoluir de simples repositórios de informação para espaços verdadeiramente colaborativos, interativos e centrados na aprendizagem e fiz dessa questão a base da minha hipótese de investigação no UC Metodologias d Projetos em e-learning. 

Durante as discussões realizadas na Sala de Aula Virtual e posteriormente no VIDEOANT, tive oportunidade de partilhar perspetivas relacionadas com a minha prática profissional enquanto gestora da plataforma Moodle. Um dos aspetos que mais se destacou nas interações com os colegas foi a consciência de que o maior desafio não reside apenas na existência da tecnologia, mas sobretudo na sua apropriação pedagógica por parte dos docentes e formadores. Que será o equivalente de passar de algo virtual para algo real. Real na medida em que irá interferir e modificar a vida (a biologia e a energia) de quem se envolver no processo de aprendizagem.  

As reflexões desenvolvidas permitiram-me consolidar a ideia de que a criação de ambientes híbridos e inclusivos exige simultaneamente: 

  • competências tecnológicas;  
  • intencionalidade pedagógica;  
  • mediação ativa;  
  • construção de comunidade; 
  • E limitações numéricas referentes ao rácio (formador/formando).  

Neste contexto, identifiquei como particularmente relevante a necessidade de formar docentes não apenas para utilizar ferramentas, mas para atuarem como mediadores e dinamizadores da aprendizagem através de conteúdos e plataformas digitais. Considero que a formação de formadores assume aqui um papel central, sobretudo através da criação de modelos pedagógicos claros, acessíveis e sustentáveis não só na componente tecnológica, mas também e principalmente na componente da transmissão e aquisição do conhecimento (cognitiva). 

A discussão síncrona realizada no dia 20 de abril contribuiu igualmente para aprofundar algumas destas questões, permitindo um momento de partilha mais próxima entre participantes e docente, reforçando a importância da presença social e da interação nos ambientes online. 

As leituras realizadas ajudaram-me também a enquadrar teoricamente estas reflexões. O modelo de Community of Inquiry, de Garrison, Anderson e Archer (2000), permitiu compreender a importância da articulação entre presença social, cognitiva e docente. As perspetivas socioconstrutivistas de Vygotsky (1978) reforçaram a relevância da interação na construção do conhecimento, enquanto Salmon (2013) destacou a importância da mediação progressiva nos ambientes digitais. 

Outro aspeto particularmente significativo foi a reflexão sobre as barreiras existentes à integração da tecnologia na educação. A partir das contribuições de Koehler e Mishra (2009) e de Fullan (2007), tornou-se evidente que a transformação digital exige apoio institucional, formação contextualizada e condições organizacionais que sustentem a mudança pedagógica. 

Enquanto profissional ligada à gestão de plataformas digitais, este percurso permitiu-me reforçar a ideia de que os ambientes virtuais devem ser concebidos como espaços habitáveis, capazes de promover participação, interação, sentido de pertença e aprendizagem significativa. 

Referências 

Garrison, D. R., Anderson, T., & Archer, W. (2000). Critical inquiry in a text-based environmentComputer conferencing in higher educationThe Internet and Higher Education, 2(2–3), 87–105. 

Koehler, M. J., & Mishra, P. (2009). What is technological pedagogical content knowledge (TPACK)? Contemporary Issues in Technology and Teacher Education, 9(1), 60–70. 

Moreira, J. A., & Horta, M. J. (2020). Educação e ambientes híbridos de aprendizagem: Um processo de inovação sustentada. Revista UFG, 20, e66027. 

Salmon, G. (2013). E-moderatingThe key to teaching and learning online (3rd ed.). Routledge. 

Siemens, G., & Long, P. (2011). Penetrating the fog: Analytics in learning and education. EDUCAUSE Review, 46(5), 30–32. 

Vygotsky, L. S. (1978). Mind in societyThe development of higher psychological processes. Harvard University Press. 

Fullan, M. (2007). The new meaning of educational change (4th ed.). Teachers College Press. 

 

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